Ô Tarzan!

Na fila do banco. Um senhor com pinta de advogado indignou- se com a moça do caixa:

– Minha filha, o que quero é um papel para mim assinar. Você está me entendendo? Ou estou falando grego?

Um cliente que aguardava dois passos atrás não se conteve:

– Se o senhor fala grego, não sei. Mas, "pra mim assinar" não é português.

Pois é. Mim não faz nem acontece. Eu é que faço e aconteço. O sujeito é ‘eu’: Papel para eu assinar. Trabalho para eu fazer. Livro para eu ler.

Não é sujeito? O mim pede passagem: Quero um papel para mim. Fez o trabalho para mim. Para mim não é bom comer agora.

Sei que não é fácil para muita gente entender quando usar o ‘eu’ e quando usar o ‘mim’, mas esse é, definitivamente, o erro de português que mais dói no meu ouvido.

(atualizado)




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25 Comentários

  1. Em 23/10/2008 às 13:53 | Link

    “Mas quem disse que ‘mim’ não é sujeito? O mim pode ser: Quero um papel para mim. Fez o trabalho para mim. Para mim não é bom comer agora.”

    Se ninguem disse, eu digo.

    O mim nestes casos esta’ fazendo o papel de objeto, nao de sujeito.

    “Quero um papel para mim.”
    Sujeito oculto: Eu.

    “Fez o trabalho para mim.”
    Sujeito oculto: ele ou vc

    “Para mim não é bom comer agora.”
    Sujeito: “Comer agora”.
    Frase na forma direta:
    Comer agora nao e’ bom para mim.

    Mim nao pode ser sujeito na lingua portuguesa, exceto se houver uma pessoa ou empresa chamada “Mim”.

  2. gvt kastor
    Em 23/10/2008 às 13:59 | Link

    Nossa, pra mim este é o erro que MENOS incomoda.

  3. gvt Luciando Mendes
    Em 23/10/2008 às 14:11 | Link

    Não entendi direito isso Rodolfo. Explica pra eu.

  4. Em 23/10/2008 às 14:42 | Link

    Esse dói no ouvido mesmo. E é incrivel o numero de pessoas que falam isso errado… E fala sério, qualquer idiota entende isso.. ‘Até mim’.

  5. gvt Professor de português
    Em 23/10/2008 às 15:06 | Link

    Pois posso lhes dizer, meus caros, que a noção de “erro” em relação às línguas tem se relativizado. Na Academia, lhes diriam o seguinte:

    1) se você está prestando um concurso para a caixa econômica federal, que tem prova de português, então aí deve usar a gramática tradicional, normativa, aquela de colégio e que está sempre aquém da realidade

    2) se está na rua ou num ambiente menos formal, o modo que você se comunica é o que importa. O papel da gramática é descrever isso. Ou seja, entender porque o povo prefere usar o “mim’ como sujeito e mostrar que, apesar de ser contra a gramática normativa, isso não é um “erro”

    Não é tão simples, mas o resumo geral é que o modo como o povo, as pessoas, a fala se desenvolve por aí afora, ou seja, fora dos livros de gramática, essa fala é que nos importa. E com a qual a linguística moderna tem se preocupado.

    Saem os livros de Machado como exemplo de como escrever e o preconceito linguístico contra o modo como as pessoas falam e entra na jogada justamente esse, pois há muitos autores que escrevem com o que seria considerado “erro” de português. Portanto, pense duas vezes antes de falar para um vizinho, sua mãe ou o cara na fila do banco que está falando “errado”, ok?

    E se ligar que as coisas “tão mudano”. Afinal, língua é um organismo vivo ;)

  6. gvt tom
    Em 23/10/2008 às 15:38 | Link

    Essa é fácil. Desde criança eu aprendi que “‘mim’ não faz nada”-no melhor estilo Tarzan!! :)

  7. gvt tom
    Em 23/10/2008 às 15:44 | Link

    O pior são os erros ortográficos que você encontra nesses Orkuts da vida. E eu não estou me referindo a “miguxês” não. Um que me irrita é o seguinte exemplo: Ao invés de escreverem “Finalmente consegui terminar o relatório” mandam um “Finalmente conseguir terminar o relatório”. Acho que esse tipo de escrita consegue ser pior que qualquer “mim” mal colocado ou qualquer gerúndio da vida :(

  8. Em 23/10/2008 às 16:31 | Link

    “mim” mesmo concorda e “desconcorda” de tudo isso ae.
    sobre erros e acertos, acredito que não existe o “sr. sabe tudo na língua portuguesa”, por este simples motivo devemos diferenciar erros comunicação verbal informal, da língua formal escrita. Concordo que certo é certo e errado é errado, mas falar o português de forma clara, direta e sem erros é o mínimo. Não precisamos declamar o português formal a todo momento, pois quem é que usa o português formal a todo momento. Existem locais, cerimônias, momentos que, sem dúvida, devemos usá-lo de formalmente, no entanto… nos expressamos geralmente buscando o entendimento do próximo e pronto. (talvez os erros de escrita sejam propositais, talvez…)

  9. gvt André
    Em 23/10/2008 às 17:01 | Link

    “Mim” não entende nada.

  10. gvt André
    Em 23/10/2008 às 17:01 | Link

    Acreditem, já escutei isso do “boy”. hehehe

  11. Em 23/10/2008 às 18:45 | Link

    grande merda
    isso só altera q a língua portuguesa não presta!

  12. gvt Andre Brasil
    Em 23/10/2008 às 19:14 | Link

    Pra MIM esse é um dos erros piores que existe. Que EU saiba ja esta mais que batido esse tema. Sei que muitos ainda nao sabem que MIM nao faz nada, mas EU faço coisa pra cacete pros outros e pra MIM, nada.

  13. gvt Juv Cardoso
    Em 23/10/2008 às 20:35 | Link

    Acho frescura se preocupar com isso.

  14. gvt Gil
    Em 23/10/2008 às 21:48 | Link

    mim tarzan!

    duahufhuehuuaeuhaeu maldito portugues

  15. Em 24/10/2008 às 00:06 | Link

    apoiado.

  16. gvt ks
    Em 24/10/2008 às 00:36 | Link

    Rodolfo, tem um pior! O famoso: “Min ajuda” (com N no final)
    Puta merda, como essas antas confundem “Me ajuda” com “Min ajuda”?
    Esse é o pior, depois é o citado por você.

  17. gvt .a
    Em 24/10/2008 às 02:12 | Link

    ‘para mim’ na frente da frase pede vírgula depois, né?

    para mim, comer agora não é uma boa idéia.

  18. gvt Leonardo
    Em 24/10/2008 às 04:36 | Link

    o pior erro é a confusão entre se e o me,por exemplo “eu se fodi”!
    Muito tosco.

  19. gvt Marcelo
    Em 24/10/2008 às 10:00 | Link

    Quem se irrita tanto com esse errinho besta deve falar tudo perfeitamente não é mesmo? Que bom que existem pessoas que sabem tudo. Eu só sei que se um idiota se intrometesse na minha conversa para me corrigir, não iria gostar nada do que iria ouvir depois.

  20. gvt Roberto Capri
    Em 24/10/2008 às 10:40 | Link

    Nunca pensei que isso incomodasse outra pessoa tanto quanto me incomoda!

    E essa história aí do professor dizendo que a língua é viva, para mim, é pura balela!
    Vá lá que mudanças podem acontecer mas vai chegar numa entrevista de emprego e mandar um “pra mim fazer” pra ver o que acontece?!

    Abraço

  21. Em 24/10/2008 às 11:02 | Link

    adEvogado

  22. gvt Pedro
    Em 24/10/2008 às 14:24 | Link

    Bom, como dizem por aí: “assim como nas artes e na saúde, só basta ter boca pra alguém dizer que entende de letras”.
    Castrezana, sua concepção de erro em língua está totalmente equivocada. As correntes linguísticas de hoje não considerariam como “erro” em qualquer caso este exemplo que você postou. Assim como muitos que exemplificaram aqui. Lógico que para cada contexto existe um nível de formalidade necessário, mas tenha um pouco de bom senso: você por acaso fala corretamente à maneira de Machado de Assis todo o tempo??? Se duvidar, talvez você fale até mais “errado” que este senhor.
    Língua padrão é bonito em contextos formais, mas nesse caso, o que se quer é ser entendido. O que faz muita diferença. De que adianta falar corretamente se a essência, que é a mensagem, não foi passada?

    Assim como em sua profissão, creio que estressa muito quando alguém completamente leigo no assunto resolve falar de algo que não entende, apenas porque acha que tem que ser dessa maneira ou de outra.

    É por isso que nosso país tem uma péssima educação: muitos acham que sabem de tudo.

    Quantos de vocês poderiam dizer o que é mesóclise sem olhar no google ou na wikipédia? Poucos eu diria…

    Você trabalha com um instrumento de comunicação, Rodolfo. Não se passe por ignorante. Você só está queimando seu filme.

    Sem querer ser arrogante. Gosto muito do OMEDI, mas também preciso defender minha profissão, né! Rs

    Abraço aê cara!

  23. Em 24/10/2008 às 15:31 | Link

    Pedro, não entendi direito o objetivo do seu comentário, mas qual a sua profissão? Você está defendendo o ‘pra mim fazer’, é isso?

  24. gvt Pedro
    Em 24/10/2008 às 17:36 | Link

    Acho que fui um pouco ignorante, desculpe.
    Não estou defendendo o “pra mim fazer”, estou apenas dizendo que é um equívoco seu censurar o senhor da história.
    As pessoas tendem a achar (você inclusive, pelo que percebi) que apenas o que está na gramática normativa é o correto. Isso não é verdade, tudo depende do contexto. Em ambientes informais é totalmente normal que alguém fale assim, da mesma maneira que outra pessoa fale “Cê” ao invés de “você”, percebe? Os dois exemplos não são formas padrão da língua portuguesa, mas são aceitáveis dependendo do contexto em que são inseridas.
    Bom, pra encurtar a história: creio que seu post não foi muito bem sucedido dessa vez.
    Só queria explicar que o “mim”, em contextos formais, não deve ser aplicado realmente. Mas o que deu a entender é que você acha que isso cabe pra qualquer situação. O que não é verdade. Ninguém é obrigado a seguir a gramática normativa todo o tempo.

    Desculpe outra vez, mas vi agora que escrevi “profissão”, no lugar de “futura profissão”. Pretendo ser professor e estudo Letras.

  25. Em 09/11/2008 às 10:17 | Link

    Foda-se o teu ouvido!

    foda-se a língua portuguesa!!!

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