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Eu falei com Deus no Brasil, se alguém me pergunta se eu quero ter uma coversinha com Deus, morro de medo, fecho o vidro e acelero. Mas no Burning Man, esta oferta passava longe de ser uma ameaça ou piada. Ficamos curiosas, eu e a Zinha, quando um cara comentou que havia uma cabine telefônica entitulada "talk to God". Nós estávamos pintando as roupas de participantes com tinta fluorescente, das pessoas que apareciam naquele acampamento (não era o nosso, e eu nem me lembro esxatamente qual era). Enfim, olha que loucura, quando apareceu o cara falando da cabine telefônica, dissemos para as pessoas aglomeradas ali, umas 5 ou 6, que íamos ver a cabine. Sabe o que aconteceu em seguida? 3 destas pessoas, isso mesmo, três tiraram suas roupas, nos entregaram e disseram que iam voltar pra pegá-las depois, e saíram andando nus pelo deserto!!! Primeira lição: no Burning Man as roupas têm tanta importância quanto as horas: nenhuma! Fomos ver a tal cabine, claro que vestidas, não que tivéssemos medo de ofender o Criador com nossos corpos nus, mas porque fomos com nossas bicicletas. Bicicletas estas cobertas com poeira e areia do deserto.
Nós duas pedalamos pouco mais de 40 metros e topamos com um carro-dragão, lindo, cheio de gente, que serviu para nos agarrarmos nele enquanto nos puxava na direção que queríamos. Este veículo-mutante também dava carona a um casal nu que tinha tatuagens complementares e que se irradiavam de seus sexos. Putz! Olha que coisa interessante, uma terceira tatuagem se formavam quando eles trepavam, quando suas tattoos se uniam. Não vi isso, mas eu podia imaginar. Coisas que só o Burning Man tem… Não perguntei se eram tattoos de henna, porque naquela ocasião isso não passou pela minha cabeça, me pareceu a coisa mais natural do Mundo um casal ter aquelas tattoos complementares. Apenas troquei algumas palavrinhas com eles, durante o trajeto. Uns caras olhavam pra gente, viam duas garotas de bicicleta, e diziam que o "Critical Tits" era na outra direção. Eu não entendi nada, pensei que eles estava dizendo que eu estava com "farol aceso" e apontando numa direção qualquer, sei lá, desconsiderei… Comentei com uma das moças do veículo-mutante no qual estávamos segurando que íamos falar com Deus e a moça me disse que ia dar uma dica ótima pr aisso (em inglês, "tip") e me passou uma garrafinha com uma "água", peguei, bebi dois goles e devolvi. Esperei pela dica, olhei pra ela, que sorriu e perguntou se eu gostei. Ahhh, não era dica, ela estava me dando um chá (em inglês, "tea")!!! Meu Deus, um chá para falar com Deus, seria isso que a moça entendeu das minhas palavras??? Enfim, o carro-dragão parou para que os caroneiros descessem e eu e a Zinha fomos à tal cabine telefônica pedalando mais algumas dezenas de metros. Vimos uma cápsula espacial próxima, ficamos de ir lá depois do telefonema, eu estava muito curiosa com a cabine e tinha algumas coisinhas pra falar com Deus, hahaha! E mais outras pessoas passaram correndo por nós, gritaram que o Critical Tits era pra lá, e apontavam numa dureção, queriam que nós duas fôssemos para o tal do "Critical Tits", eu não sabia que cazzo de evento era esse… enfim, na cabine telefônica você podia ler a inscrição "talk to God" ("Fale com Deus"), estávamos lá, finalmente.
Tirei o telefone do gancho e deu sinal de linha. Alguém atendeu e minhas pernas tremeram. Hihi, brincadeira, não tremeram, alguém atendeu e eu falei desleixadamente, já com meio riso na boca: "Deus, passa para Jesus, por favor?" e Ele respondeu sem demora: "Madalena? Nossa, quanto tempo, darling… Jesus não está aqui, ele foi ao Center Camp, quer deixar recado?". Putz, Deus é – me perdoa a piada involuntária – muito espirituoso! Entre pedidos e agradecimentos muito divertidos, rolou um negócio que realmente mexeu comigo, e aí foi participação de Deus, o Original, não o cover. Eu perguntei a Ele sobre Sua onipresença, se ele poderia estar em todos os lugares do Burning Man ao mesmo tempo, e Ele me respondeu que sim, e que eu veria isso em breve. No momento me pareceu mais uma sacada genial do cara que falava do outro lado da linha. E era! Mas não só isso. Pouco depois de deixarmos a cabine, começou uma tempestade de areia que, comentavam, nunca havia acontecido em anos anteriores. Eu e a Zinha pedalamos até nosso acampamento e nos fechamos no nosso motorhome. Na mesma hora ela comentou comigo: "Olha Deus aí mostrando que está em todos os lugares ao mesmo tempo, Fê!". Meu, olha que momento, olha só que situação impressionante. E não acabou aí não. Quando a tempestade foi embora, apareceram dois arco-iris sobre Black Rock City. Cheguei a lacrimejar, fosse ou não fosse coincidência, a conversa que tive com Deus na cabine cerca de 1 hora antes ganhou outro sentido. Não duvido que do outro lado da linha fosse o autor daquela intalação, mas cheguei a ponderar se não era Deus, o Próprio, usando de seus artifícios para se mostrar pra mim, para responder às questões indizíveis que eu e todos nós temos sobre Ele.
Estendi, com a ajuda da Zinha e dos nossos amigos que também tinham voltado para se abrigar da tempestade, um tapete que devia pesar uns 200Kg (bem menos, claro, hehehe) em cima do teto do motorhome do Gerald. Subi e fiquei dançando lá em cima, como se estivesse diante dos portões do céu, tendo vertigens ao ver os dois arco-iris como se fossem um túnel em perspectiva. Conforme o sol ia se pondo, eu via minha própria sombra se locomovendo até ficar projetada na parede da montanha do outro lado do deserto. Porcausa da distância, havia um delay na luz, minha sombra se movimentava bem mais atrasada do os meus movimentos, uma puta experiência! Depois a Zinha me contou que eu estava sob o efeito de um chá meio "calibrado", hahaha! Realmente, eu não tinha apenas sangue correndo nas minhas veias. Além da areia alcalina que entra pelos olhos, circulava também um pouco de química de "alta performance".
Mais tarde, já a noite dentro do nosso motorhome, falei da minha experiência pro Gerald e ele disse que também teve certeza de que Deus existia, pois ele tinha ido ao "Critical Tits" naquele dia. Que diacho é isso??? Ele me explicou que em São Francisco tem um negócio chamado "Critical Mass", que é o encontro espontâneo de milhares de ciclistas que saem andando com suas bicicletas pelas ruas da cidade. Não há cliclista chefe, nem grupo abre-alas, nem organização hierárquica nem nada, apenas as pessoas sabem que dia vai ser isso e pegam suas bikes e mandam ver. No Burning Man existe uma versão do evento, o tal "Critical Tits", que é quando todas as mulheres de Black Rock City pedalam sem camisa fazendo a maior algazarra, gritando, levantando os braços, imitando barulho de motocicletas, etc. A comunidade masculina toda se mobiliza em torno do trajeto. As mais discretas fazem topless e pintam os seios com desenhos de flores e folhas. As mais ousadas pedalam com tudo de fora, com as duas mãos pra cima! Putz!!!
Compre!
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5 Comentários
Comentário idiota mas necessário:
Como colocar virgula nos textos ?
Pega um pacote de virgulas e joga em cima do teclado.
Todas as virgulas entram em todos os lugares.
Entre predicado e sujeito e verbo e tudo.
Foi o que aconteceu neste texto.
O conteúdo até que é legalzinho, mas a forma é analfabetística.
Back to school !
eu quero tanto ir nesse negocio
Que loucura é essa do delay da luz?! Caraca, meu, demais o Burning Man! É a segunda vez que tenho a surpresa de (re)conhecer o festival. Já me falaram mais de uma vez e eu me esqueço sempre. Desta vez vou gravar o nome. É Burning Man, beleza, um dia eu ainda vou pra lá…
Este arco de rodinhas é de que tamanho??? Cara, deve ter sido uma viagem e tanto.
Fala Breta…primeira vez que piso aqui!…Gostei da matéria, bem descrita…parece que estamos lá!
beijokas