Fiquei bastante satisfeita e, de certa forma, um pouco surpresa com a aceitação do post anterior sobre livros. O mais importante é que isto me deixou ainda mais motivada a "devorar livros com farofa", uma vez que já li nos comentários alguns ensaios de dicas de leitura. Por favor, se desejarem recomendar-me algo, não se acanhem; podem fazê-lo no email@omedi.net ou mesmo nos comentários das postagens sobre livros.
Acho justo que o pontapé inicial das postagens seja dado por um livro que considero uma das melhores indicações àqueles que não têm o hábito da leitura frequente, ou mesmo para aqueles que acabam de ingressar neste mundo do "faça-seu-próprio-cenário" vindos de livros mais atuais e populares. "Comédias para se ler na escola", é simplesmente um dos melhores livros de Luis Fernando Veríssimo na minha opinião. Sou aficcionada por este autor desde que o conheci, aos 14 anos, apresentado por um colega tão viciado em leitura quanto eu, com quem eu costumava compartilhar experiências literárias.
"Comédias pra se ler na escola" é uma seleção de Ana Maria Machado, autora de livros infantis e leitora voraz de LFV. (Uma curiosidade: Ana Maria Machado foi dona de uma livraria infantil, onde o pedido mais frequente, feito por pais acompanhados de crianças era "Este menino não gosta de ler. Que livro devo dar a ele?" Após uma breve conversa com o pequeno cliente, a autora fazia uma indicação à criança, a princípio contrafeita, mas que depois voltava – muitas vezes sozinha – à procura de novos títulos). Na contracapa, a autora escreve: "Depois de ler este livro, duvido que algum jovem ainda seja capaz de dizer, sinceramente, que não curte ler. Aposto que, em sua maioria, os novos leitores vão se viciar em livro e sair procurando outros textos, de outros autores."
O livro – como a grande maioria dos títulos do autor – é composto por várias crônicas, ao invés de uma história contínua. Isto facilita muito a leitura de quem não tem muito tempo e precisa interromper a leitura diversas vezes, e também de quem costuma "desanimar" na metade do livro, quando percebe que leu bastante, mas ainda está longe do final.
O mais fascinante é que Veríssimo tem a capacidade de "estranhar" palavras e situações cotidianas, imaginando e atribuindo novos significados a elas, com a mesma facilidade de uma criança. Sempre sutil, faz trocadilhos que podem passar despercebidos a um leitor distraído sem que, contudo, o entendimento geral seja prejudicado. Escreve de forma simples, leve e divertida, fazendo da leitura um hábito fácil, prazeiroso e extremamente viciante.
Recomendo a todos os públicos, de todas as idades e gostos, independentemente da frequência de leitura. Quem chegar a ler, não deixe de me dizer como foi, a qualquer tempo. Buon Appetito!